Policrises e silêncios estratégicos: a saúde global sob a ótica da sociedade civil
Palavras-chave:
Organizações da Sociedade Civil, Saúde Global, PolicrisesResumo
O informe consolida as manifestações de 33 organizações da sociedade civil (OSC) das 51 monitoradas, entre 13 e 26 de março de 2026. A análise evidencia a preocupação com a “policrise”, que associa conflitos armados, crise climática e crises humanitárias. A intensificação de conflitos armados no Oriente Médio (Líbano, Irã e Síria) e no Sudão é destacada. Curiosamente, os ataques continuados de Israel à Palestina, a persistência de conflitos em diversos países africanos, a prolongação da guerra entre a Rússia e a Ucrânia e a desintegração social no Haiti não foram mencionadas no período. Esse esquecimento seletivo parece indicar a existência de uma hierarquização de vidas humanas e a fragmentação da solidariedade global. Entre a OSC de interesse público, observa-se a predominância de temáticas sobre crises humanitárias e violação do direito internacional, além de discussões sobre determinantes comerciais e sociais. Tais manifestações fazem críticas ao imperialismo, ao bloqueio econômico a Cuba e aos danos à saúde mental decorrentes do uso de mídias sociais. Tratam ainda do enfrentamento das doenças transmissíveis e não transmissíveis sob a ótica da equidade. Por sua, as OSC de interesse privado concentram suas manifestações em temas como inovação tecnológica, desenvolvimento de vacinas e preparação para futuras pandemias. Quando abordam as crises humanitárias, focam na proteção da infraestrutura e na garantia da continuidade de serviços, sem quaisquer críticas geopolíticas.
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