BRICS, a geopolítica e o papel da China
O conflito destacou a necessidade de os BRICS acelerarem a transição para as energias renováveis; mudarem para o pagamento do petróleo em moedas locais; e a operacionalizarem uma plataforma de pagamentos do grupo
Palabras clave:
BRICS, Conflito EUA-Israel x Irã, Transição para energias renováveis, Mudança para o pagamento do petróleo em moedas locais, plataforma de pagamentos dos BRICS, China, MultilateralismoResumen
O BRICS coopera em diversas áreas e não exige alinhamento geopolítico entre seus membros. Na verdade, a flexibilidade tem sido uma de suas características definidoras. A guerra dos EUA e Israel contra o Irã pode testar os limites dessa flexibilidade na prática. Grandes crises geopolíticas tendem a comprimir o sistema internacional, forçando os países para um posicionamento político mais claro. Embora muitos países prefiram a ambiguidade estratégica, conflitos prolongados podem tornar a neutralidade cada vez mais difícil de manter, afinal estão em jogo mercados de energia, rotas comerciais marítimas e sistemas financeiros. O bloco inclui países com tradições de política externa e relações de segurança muito distintos. Individualmente, quatro de seus cinco membros-fundadores, o BRIC, emitiram declarações lamentando perdas iranianas e denunciando violações do direito internacional. Somente a Índia não condenou abertamente os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã por possuir relações com os EUA e Israel e depender do fornecimento de energia do Oriente Médio. Por estar em posição de equilíbrio mais cautelosa, sob sua presidência, o BRICS se manteve silencioso sobre a guerra. Até a semana anterior a este informe, os países do Golfo e membros do BRICS o momento, Arábia Saudita e Emirados, aliados dos EUA, haviam proibido o uso de suas bases militares americanas ou espaço aéreo caso um ataque ao Irã prosseguisse. O conflito destacou a necessidade de os BRICS acelerarem a transição para as energias renováveis; impulsionarem uma mudança mais rápida para o pagamento do petróleo em moedas locais entre seus membros e a colocarem em prática uma plataforma de pagamentos do grupo, visando reduzir a dependência de sistemas financeiros ocidentais como o SWIFT e, ao mesmo tempo, que garanta uma resiliência contra sanções. O grupo continua sendo a única plataforma capaz de reunir os recursos de uma parcela da humanidade que se recusa a viver sob o domínio do capitalismo americano, mas isso exige um organizador e integrador. Somente a China pode desempenhar esse papel. Será que ela está disposta?
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