Avanços e desafios no IPCC, UN-Water e BBNJ

Autores

  • Danielly Magalhães Autor
  • Guto Galvão Autor

Palavras-chave:

Governança global, Mudança climática, Água e saneamento, Biodiversidade marinha, Multilateralismo

Resumo

Realizado entre 24 e 27 de março de 2026 em Bangkok, a 64ª Sessão do IPCC ocorreu em um momento decisivo do sétimo ciclo de avaliação (AR7), que deverá fornecer a base científica para orientar políticas climáticas globais nos próximos anos. O AR7 mantém a estrutura tradicional do IPCC, com três grandes componentes: o Grupo de Trabalho I, focado na base física das mudanças climáticas; o Grupo de Trabalho II, que aborda impactos, adaptação e vulnerabilidade; e o Grupo de Trabalho III, dedicado à mitigação. Além disso, o ciclo inclui relatórios especiais — como o de cidades e mudanças climáticas — e relatórios metodológicos, incluindo temas como forçadores climáticos de curta duração e tecnologias de remoção de carbono. Esses produtos são essenciais para subsidiar processos internacionais, como o acompanhamento do Acordo de Paris, e para apoiar decisões em saúde, infraestrutura e planejamento territorial.
Apesar da relevância científica do AR7, o IPCC-64 foi dominado por negociações políticas complexas, especialmente em torno da definição do cronograma de entrega dos relatórios. Esse tema, embora inicialmente fora da agenda formal, gerou forte pressão de diversos países — incluindo Índia, Arábia Saudita, China e África do Sul — que exigiram sua inclusão imediata, destacando que a ausência de um cronograma comprometeria o planejamento do ciclo, o orçamento e a participação dos países. Após intensas discussões procedimentais, foi criado um grupo de contato para tratar do tema. No entanto, as negociações revelaram divisões profundas: de um lado, países desenvolvidos e alguns pequenos Estados insulares defenderam cronogramas mais rápidos, alinhados com marcos políticos globais, como o Global Stocktake; de outro, vários países em desenvolvimento argumentaram que prazos mais curtos inviabilizam sua participação efetiva, devido a limitações de capacidade técnica, recursos humanos e financeiros, além da necessidade de evitar sobreposição com processos da United Nations Framework Convention on Climate Change.

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Publicado

05/05/2026 00:00

Como Citar

Magalhães, D., & Galvão, G. (2026). Avanços e desafios no IPCC, UN-Water e BBNJ. Cadernos Fiocruz De Saúde Global E Diplomacia Da Saúde, 6, 58-64. https://cadernossaudeglobalfiocruz.net/csgf/article/view/273