Solidariedade sob ataque
o multilateralismo em questão
Palavras-chave:
saúde global, multilateralismo, Organizações da Sociedade Civil, Crises humanitárias, Governança globalResumo
O cenário delineado pelas Organizações da Sociedade Civil (OSC) no presente informe revela uma triste continuidade: a deterioração das condições de vida em zonas de guerra não só persiste, como se aprofunda, agora com novas escaladas no Líbano e no Irã, mesmo após anúncios de cessar-fogo. A utilização de tecnologia de impressão 3D pela Médicos Sem Fronteiras (MSF) em Gaza para tratar queimaduras graves, embora inovadora, expõe a cruel escassez de suprimentos básicos diante do bloqueio. No Sudão, ataques com drones a hospitais durante campanhas de vacinação infantil e o uso da violência sexual como arma de guerra demonstram um desrespeito sistemático à vida e à dignidade das mulheres e meninas. Além dos conflitos, as OSC trazem à tona debates críticos sobre equidade: a recusa da Gilead em ampliar o acesso ao lenacapavir para prevenção do HIV, denunciada pela MSF, evidencia como interesses comerciais seguem criando obstáculos ao exercício do direito à saúde. As mudanças climáticas também ganham relevo, a exemplo da Planetary Health Alliance que aponta a contaminação por esgoto em 73% das áreas marinhas protegidas, um ataque silencioso à saúde planetária.
Em contraste, as OSC de interesse privado direcionaram suas manifestações prioritariamente para inovações tecnocientíficas, eficiência de sistemas e soluções de mercado. A GAVI, The Vaccine Alliance, celebrou a redução de 19,5 milhões de mortes por sarampo na África desde 2000 graças à vacinação e destacou que países de baixa renda investiram mais de US$ 300 milhões em imunização em 2025 (o maior valor já registrado), sinalizando maior autonomia e sustentabilidade dos programas nacionais. A Rockefeller Foundation anunciou a intenção de investir US$ 10 milhões para apoiar o International Rescue Committee em contextos de conflito e crise, ao mesmo tempo em que alertou para a queda recorde da ajuda internacional (entre 9% e 17% em 2025) e defendeu uma resposta coordenada para suprir a lacuna de recursos.
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