O BRICS diante da Guerra no Irã: soberania sanitária e os limites da alternativa à ordem global
Palavras-chave:
BRICS, Soberania sanitária, Coalizão Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo, Centro de P&D de Vacinas do BRICS, Sul global, MultipolaridadeResumo
Este artigo analisa os desdobramentos do conflito de 2026 entre o eixo EUA-Israel e o Irã, questionando o papel e a efetividade do BRICS como alternativa à ordem mundial vigente. A partir do anúncio do cessar-fogo e da mediação estratégica chinesa, o texto explora como a resiliência iraniana expôs a fragilidade do vetor militar estadunidense como ferramenta de coerção absoluta. Contudo, o foco central recai sobre o "silêncio do BRICS": por que um bloco que reivindica a reforma da arquitetura internacional permaneceu paralisado diante da agressão a um de seus Estados-membros? A análise aponta que o princípio do consenso, somado às rivalidades internas importadas pela expansão recente e ao nacionalismo pragmático da Índia, transformou-se em um mecanismo de imobilismo diplomático. O texto também detalha os impactos sistêmicos da guerra no setor da saúde, destacando como o bloqueio de Hormuz e ataques a indústrias farmacêuticas exacerbam as vulnerabilidades da soberania sanitária do Sul Global, incluindo o Brasil. Conclui-se que o BRICS enfrenta uma encruzilhada de relevância: para consolidar uma ordem multipolar, o grupo precisa superar sua fragmentação interna e transitar de um fórum técnico para um ator geopolítico coeso, capaz de garantir autonomia tecnológica e segurança para as nações em desenvolvimento.
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