Espécies migratórias: compromisso internacional para além da conservação da biodiversidade
Abstract
A migração animal é um dos fenômenos mais espetaculares da natureza, movendo milhares de indivíduos ao redor do Planeta em busca de habitats favoráveis para reprodução e alimentação. Essa estratégia sofisticada exige sincronia entre o clima e a conservação de corredores ecológicos, mas enfrenta graves ameaças decorrentes da pressão antrópica, como a perda de habitats, poluição, e mudanças climáticas. Nesse cenário, a saúde das populações silvestres revela-se intrinsecamente ligada à saúde humana e dos ecossistemas, reforçando a necessidade da conservação das espécies e habitats e das premissas instituídas pelo conceito de Saúde Única para antecipar riscos e emergências zoonóticas. Para coordenar a proteção dessas espécies, a Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS), ou Convenção de Bonn, estabelece diretrizes internacionais e organiza as espécies em apêndices de acordo com o nível de ameaça. Apesar desses esforços, o Relatório Global do Estado das Espécies Migratórias de 2024 indica a deterioração preocupante, com uma em cada cinco espécies migratórias ameaçada de extinção. O Brasil, que sediou a COP15 em Campo Grande em março de 2026, tem avançado em sua diplomacia ambiental ao liderar a inclusão de espécies sul-americanas nos mecanismos de proteção e ao integrar as ações da CMS com a preservação de áreas úmidas da Convenção Ramsar. O sucesso contínuo dessas medidas depende da mobilização de recursos e da participação ativa da sociedade e de comunidades indígenas e tradicionais no monitoramento das rotas e na fiscalização ambiental e da integração dos diversos setores de governos nacionais, regionais e internacionais.
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