Entre surtos, soberania e biofabricação
desafios contemporâneos da saúde global
Abstract
A atual ocorrência de casos de hantavirose por vírus Andes (ANDV) associada a um navio de cruzeiro internacional recoloca no centro da agenda global debates fundamentais sobre vigilância epidemiológica, preparação para emergências sanitárias e governança internacional da saúde. Embora a Organização Mundial da Saúde (OMS) avalie o risco global do evento como baixo, o episódio mobilizou uma resposta internacional coordenada envolvendo múltiplos países, pontos focais nacionais do Regulamento Sanitário Internacional (RSI 2005), laboratórios de referência, evacuações médicas e mecanismos de comunicação de risco. Mais do que um evento isolado, o surto revela tensões e desafios contemporâneos da saúde global em um cenário pós-COVID-19, no qual doenças zoonóticas, circulação internacional de pessoas e fragilidades da cooperação internacional permanecem profundamente interligadas (1).
As hantaviroses constituem zoonoses causadas por vírus da família Hantaviridae, transmitidos principalmente pelo contato com secreções de roedores infectados. Nas Américas, o vírus Andes é responsável pela maior parte dos casos da síndrome cardiopulmonar por hantavírus (SCPH), caracterizada por evolução rápida, insuficiência respiratória grave e elevada letalidade. Diferentemente de outros hantavírus identificados na Europa e Ásia, o ANDV possui uma característica epidemiológica particularmente relevante: a possibilidade, ainda que limitada, de transmissão entre humanos. Essa especificidade transforma o atual evento em um caso de interesse internacional não apenas pela gravidade clínica observada, mas também pelo potencial de disseminação em ambientes fechados e altamente conectados, como embarcações internacionais.
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